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Ave rara e ameaçada é encontrada em Minas Gerais após 80 anos sem registros

  • joracidelima
  • 18 de fev. de 2020
  • 2 min de leitura

Fevereiro começou em clima de festa para a comunidade de observadores de aves. No primeiro dia do mês, pesquisadores do WAITA, Instituto de Pesquisa e Conservação, se deslocaram ao Leste de Minas Gerais para encontrarem, pela primeira vez em vida livre, a ave conhecida como bicudo (Sporophila maximiliani), após 80 anos sem registro no Estado.

O Waita é uma organização não governamental com foco principal sobre animais vítimas do tráfico e, desde 2016, tentava descobrir bicudos nativos. O "Projeto Bicudos" foi desenvolvido com apoio da Fundação "Grupo Boticário de Proteção à Natureza" e com auxílio do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

As ações de conservação contam, ainda, com o apoio das Universidades Federais de Viçosa (UFV), de Ouro Preto (UFOP), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e criadores da espécie, devidamente autorizados.

Para garantir o sucesso no encontro com o animal, os pesquisadores prezaram por envolver a comunidade local na iniciativa também. Moradores das regiões mapeadas foram instruídos sobre os hábitos e as características dos bicudos para informarem o projeto em caso de contato.

O resultado não podia ser diferente, no dia 1° de fevereiro quem comunicou sobre a aparição do animal foi um morador do leste mineiro, José Paulo dos Santos, de 51 anos. Ele já havia auxiliado nas buscas pela espécie, em 2017, e já sabia da existência da ave na região pois costumava ver o bicudo próximo a brejos e lagos em que costumava pescar. “Desde então, virou uma questão de honra encontrar o bicudo”, contou o senhor à equipe como afirma a bióloga presidente do Waita, Fernanda de Souza Sá.

Com o deslocamento da equipe, no momento do aviso, a surpresa: três bicudos habitavam a região, dois machos e uma fêmea. Até então, não se sabia do registro de nenhum animal nativo, apesar da espécie somar muitos indivíduos que foram reintroduzidos na natureza, frutos de cativeiros.

“A equipe continua na região para fazer um monitoramento contínuo, já que até então não se tinha informações sobre as espécies nesses casos e nenhum dos dados se tinha comprovação”, afirma Fernanda Sá.

A bióloga ainda conta que a ida ao campo pretende abranger a coleta de dados, as captação de informações ecológicas da espécie, de características da ecologia da região e até, futuramente, a captura para coleta de amostras de sangue das aves. Para isso, porém, os pesquisadores tentam captar recursos que viabilizem o “plantão” realizado pela equipe no local.

Fonte: G1

Publicação Joraci de Lima

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